Você nunca deixou de comer gordura porque não queria engordar?
- Arthur Pinto de Oliveira
- 23 de ago. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de ago. de 2025

Durante décadas, a palavra “gordura” foi associada quase automaticamente ao aumento de peso, colesterol alto e doenças cardiovasculares. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “Ah, eu não como nada gorduroso porque quero emagrecer”? Essa crença, repetida por gerações, fez com que muitas pessoas demonizassem qualquer tipo de gordura, cortando da alimentação alimentos que, na verdade, poderiam ser grandes aliados da saúde e até mesmo do controle do peso.
Mas será que toda gordura engorda? E mais: será que eliminar totalmente as gorduras é realmente saudável? A resposta curta é: não. O corpo humano precisa de gorduras, mas precisa das gorduras certas. E é justamente aqui que entra um protagonista importante: o ômega-3, uma das gorduras mais estudadas e valorizadas pela ciência moderna.
O mito da gordura vilã
Você nunca deixou de comer gordura porque não queria engordar?
Na década de 70 e 80, muitos estudos começaram a associar dietas ricas em gordura com obesidade e doenças cardíacas. Isso levou a uma onda de recomendações de dietas “low fat” (com pouca gordura).
Supermercados se encheram de produtos “zero gordura” ou “light”, e grande parte da população acreditou que, para ser saudável, era preciso cortar qualquer vestígio de gordura do prato.
O problema é que essa mentalidade simplista acabou ignorando um ponto essencial: não é a gordura em si que faz mal, mas sim o tipo e a quantidade consumida.
Ao retirar a gordura, muitas indústrias adicionaram açúcares e carboidratos refinados nos produtos para manter o sabor.
O resultado? A população continuou ganhando peso, os índices de obesidade aumentaram e as doenças metabólicas se tornaram ainda mais comuns.
Hoje já sabemos que existem diferentes tipos de gordura:
Gorduras saturadas – encontradas em carnes, manteiga e laticínios. Seu consumo deve ser moderado, mas não precisa ser eliminado.
Gorduras trans – presentes em produtos ultraprocessados, biscoitos recheados, margarinas e frituras industriais. Essas sim devem ser evitadas ao máximo, pois não oferecem benefícios e estão diretamente ligadas a problemas cardíacos.
Gorduras insaturadas (mono e poli-insaturadas) – encontradas em azeite de oliva, abacate, oleaginosas, sementes e peixes. São as chamadas “gorduras boas”, fundamentais para o funcionamento do organismo.
O papel das gorduras boas no corpo
Você nunca deixou de comer gordura porque não queria engordar?
Você nunca deixou de comer gordura porque não queria engordar?As gorduras não são apenas uma fonte de calorias. Elas desempenham funções vitais, como:
Compor a membrana das células, ajudando na sua integridade.
Ser a base de produção de hormônios importantes.
Auxiliar na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).
Servir como fonte de energia de longa duração.
Participar do funcionamento do cérebro e sistema nervoso.
Ou seja, cortar totalmente a gordura é como tentar rodar um carro sem óleo no motor. Mais cedo ou mais tarde, o corpo sente a falta.
O destaque especial do ômega-3
Entre todas as gorduras boas, o ômega-3 merece destaque especial. Trata-se de um tipo de ácido graxo poli-insaturado essencial, ou seja, o corpo humano não consegue produzi-lo e precisa obtê-lo através da alimentação ou suplementação.
Existem três principais tipos de ômega-3:
ALA (ácido alfa-linolênico) – encontrado em sementes de linhaça, chia e nozes.
EPA (ácido eicosapentaenoico) – presente em peixes de águas frias como salmão, sardinha e cavala.
DHA (ácido docosahexaenoico) – também presente em peixes, com papel fundamental no cérebro e nos olhos.
Benefícios comprovados do ômega-3
Saúde do coraçãoEstudos mostram que o consumo regular de ômega-3 ajuda a reduzir os níveis de triglicerídeos, contribui para equilibrar o colesterol e ainda reduz a inflamação, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.
Cérebro mais ativo e saudávelO DHA é um dos principais componentes estruturais do cérebro. Uma boa ingestão de ômega-3 está relacionada à melhora da memória, foco e até à prevenção de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.
Controle da inflamaçãoA inflamação crônica de baixo grau é considerada a raiz de várias doenças modernas, incluindo diabetes, obesidade e até câncer. O ômega-3 atua como um anti-inflamatório natural, ajudando a equilibrar o corpo.
Melhora do humor e bem-estarHá evidências de que o ômega-3 pode ajudar em quadros de depressão e ansiedade, melhorando o equilíbrio dos neurotransmissores.
Desempenho físico e recuperaçãoPara quem pratica exercícios, o ômega-3 auxilia na recuperação muscular, reduz dores e pode até melhorar a performance, já que contribui para o bom funcionamento das células.
Saúde dos olhos e da peleO DHA é essencial para a retina, e o ômega-3 em geral ajuda a manter a pele mais elástica, hidratada e protegida contra processos inflamatórios.
Por que falta ômega-3 na nossa alimentação?
Apesar de todos esses benefícios, a dieta ocidental moderna é pobre em ômega-3 e rica em ômega-6 (presente em óleos vegetais como soja, milho e girassol).
Esse desequilíbrio prejudica a saúde, já que o corpo precisa de uma proporção equilibrada entre os dois tipos de gordura para funcionar bem.
Antigamente, quando a alimentação era mais natural e rica em peixes, nozes e sementes, o consumo de ômega-3 era muito maior.
Hoje, com a predominância de fast food e ultraprocessados, muitas pessoas praticamente não consomem essa gordura essencial.
Como garantir uma boa ingestão de ômega-3
Inclua peixes gordurosos no cardápio – salmão, sardinha, cavala, anchova e atum são excelentes fontes.
Aposte em sementes e oleaginosas – linhaça, chia, nozes e castanhas ajudam a complementar a ingestão.
Use óleos vegetais de qualidade – óleo de linhaça, por exemplo, pode ser usado em saladas.
Considere a suplementação – muitas vezes, pela dificuldade de consumo regular de peixes de qualidade, o uso de cápsulas de óleo de peixe ou óleo de algas (para vegetarianos) é uma alternativa prática e eficaz.

Relembrando a verdade sobre as gorduras
Quem nunca deixou de comer um pedaço de abacate, de se deliciar com um punhado de castanhas ou até mesmo de temperar a salada com um bom azeite por medo da palavra “gordura”?
O problema não está nesses alimentos, mas sim nas escolhas equivocadas do dia a dia.
Substituir gordura boa por alimentos ultraprocessados sem gordura foi um dos maiores erros nutricionais das últimas décadas.
Agora, com mais conhecimento, sabemos que o segredo não é eliminar a gordura, mas aprender a escolher a gordura certa.
O mito da gordura vilã
Durante anos, acreditava-se que o segredo para emagrecer era cortar toda a gordura da dieta.
Surgiram produtos “light” e “zero gordura”, mas que vinham cheios de açúcar e carboidratos refinados. Resultado: mais ganho de peso e menos saúde.
👉 O problema nunca foi a gordura em si, mas o tipo de gordura.
❌ Gorduras ruins: trans (frituras, salgadinhos, biscoitos recheados).
⚖️ Gorduras saturadas: (carnes gordurosas, queijos, manteiga – moderar o consumo).
✅ Gorduras boas: insaturadas (azeite, abacate, castanhas, peixes, sementes).
Conclusão
A verdade é simples: o corpo humano precisa de gordura.
E mais do que isso, precisa de gorduras boas que sustentem as funções vitais do organismo, promovam saúde e qualidade de vida.
O ômega-3 é um exemplo claro de como uma gordura pode ser um verdadeiro remédio natural, capaz de proteger o coração, o cérebro, os olhos, a pele e até ajudar no controle da inflamação.
Por isso, da próxima vez que alguém comentar que vai cortar gordura para não engordar, você já sabe: o problema não é a gordura, e sim escolher a gordura errada.
Invista nas gorduras boas, dê ao seu corpo a dose certa de ômega-3 e descubra como, ao contrário do que muitos pensam, as gorduras certas podem ser suas grandes aliadas no caminho para uma vida mais saudável e equilibrada.
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